script async src="https://pagead2.googlesyndication.com/pagead/js/adsbygoogle.js?client=ca-pub-3525825446826650" crossorigin="anonymous"> Opinião - luso.eu | Jornal de Notícias das Comunidades Portuguesas
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A Europa continua a afirmar-se como o principal destino turístico do mundo. Mas esse sucesso, longe de ser apenas motivo de celebração, levanta hoje um desafio central: como garantir que o crescimento do turismo continua a gerar riqueza sem comprometer a qualidade de vida das populações e a sustentabilidade dos territórios.

O debate recente no Parlamento Europeu foi claro. A gestão do turismo deve assentar no equilíbrio entre crescimento económico, coesão territorial e protecção das comunidades locais. Este debate é uma realidade concreta em muitas cidades europeias, incluindo em Portugal.

Os números ajudam a perceber a dimensão do sector. Em 2025, a União Europeia registou cerca de 3,1 mil milhões de dormidas, confirmando a centralidade do turismo na economia europeia. Em Portugal, o sector atingiu receitas recorde de 29 mil milhões de euros, representando cerca de 9,7% do PIB e quase metade das exportações de serviços. Estes dados mostram bem que o turismo não é um sector secundário, mas um verdadeiro motor económico.

Mas o sucesso traz consigo desafios. A concentração excessiva de turistas em determinados destinos está a gerar pressões reais sobre o mercado da habitação, as infra-estruturas e a identidade das comunidades locais. O problema não é o turismo em si, mas a sua distribuição desigual. Como tem sido sublinhado no Parlamento Europeu, cerca de 80% dos viajantes concentram-se em apenas 10% dos destinos.

É por isso que a resposta não pode ser travar o turismo, mas sim geri-lo melhor.

Uma das prioridades deve ser garantir um enquadramento regulatório equilibrado, particularmente no que diz respeito ao alojamento de curta duração. A distinção entre pequenos proprietários e grandes operadores comerciais, bem como a possibilidade de adaptação das regras às realidades locais, são elementos essenciais para proteger o direito à habitação sem comprometer a actividadeeconómica.

Mas a verdadeira chave para um turismo mais equilibrado está na conectividade. Sem ligações eficientes (aéreas, ferroviárias ou marítimas) não será possível redistribuir fluxos turísticos nem valorizar regiões menos exploradas. A Comissão dos Transportes e do Turismo do Parlamento Europeu tem salientado que a conectividade é mais do que uma questão de mobilidade, é uma condição essencial para a coesão territorial e para o desenvolvimento equilibrado do sector.

Neste contexto, investir em infra-estruturas de transporte, reforçar ligações regionais e apoiar soluções multimodais não é apenas uma política de transportes mas também uma política de turismo. É também uma forma de garantir que os benefícios económicos do sector chegam a mais regiões e a mais comunidades.

Ao mesmo tempo, é fundamental assegurar que a transição para um turismo mais sustentável não compromete a competitividade e a acessibilidade. O equilíbrio entre ambição ambiental e viabilidade económica deve ser uma prioridade. Medidas que aumentem excessivamente os custos ou limitem a mobilidade podem ter efeitos negativos, sobretudo em regiões mais dependentes do turismo, como as ilhas e territórios periféricos.

Outro ponto crítico é o financiamento. Apesar da importância estratégica do turismo, a União Europeia continua sem uma linha orçamental dedicada ao sector. Este é um défice que importa corrigir. Embora existam instrumentos que apoiam indirectamenteo turismo, a ausência de um enquadramento financeiro próprio limita a capacidade de resposta a crises e a implementação de políticas estruturadas.

Por outro lado, o futuro do turismo europeu passa também pela valorização do capital humano. A qualificação dos trabalhadores, a melhoria das condições laborais e o investimento em competências são essenciais para garantir um sector mais resiliente e mais atractivo, contribuindo para elevar a qualidade do serviço e a competitividade global do sector.

Portugal tem, neste contexto, uma posição particularmente relevante. O país tem conseguido crescer em valor, com receitas a aumentarem mais rapidamente do que o número de dormidas, o que demonstra uma estratégia orientada para a qualidade e não apenas para o volume. Esta é uma evolução positiva, que deve ser consolidada.

Mais do que nunca, o turismo está em transformação, que deve ser orientada por um princípio simples: crescimento com responsabilidade. Isso significa garantir que o turismo continua a ser um motor de desenvolvimento económico, que respeita os territórios, valoriza as comunidades e contribui para a coesão social. A Europa não pode dar como garantida a sua posição de liderança. Num contexto de crescente concorrência global, a capacidade de encontrar este equilíbrio será determinante. Porque um turismo forte não é apenas aquele que cresce, mas aquele que cresce bem.


 



 

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