Quem ganha quando a revolta se transforma em destruição?
As manifestações em França contra a carestia de vida e as condições nas escolas exprimem um descontentamento real, mas são as imagens da destruição que ocupam e ofuscam quase todo o espaço das reivindicações.
Às vezes, por vezes, a história ensina-nos onde isto corre o risco de ir parar. Vejamos.
A Revolução de 1789 derrubou o absolutismo e proclamou direitos universais. Mas não demorou a produzir uma violenta repressão. Foi o tempo do Terror e de Robespierre.
Alguns anos depois, Bonaparte instala o Consulado e o Império. E a revolução, feita em nome da liberdade, desemboca no poder pessoal de um imperador, embora nem todas as conquistas de 1789 tenham desaparecido.
Em 1871, a Comuna de Paris foi esmagada pelo poder instalado em Versalhes. A Semana Sangrenta deixou milhares de mortos; seguiram-se prisões e deportações. A República afirmou a sua autoridade através da destruição da experiência revolucionária parisiense.
Em Maio de 68, a contestação abalou o poder gaullista. Mas nas eleições de junho, foi o poder contestado a vencer e a conquistar uma maioria absoluta na Assembleia Nacional. A crise terminou com uma recuperação eleitoral e repressiva da autoridade, dentro do regime democrático.
São três situações distintas, mas que nos dão uma advertência útil.
Quando o medo da desordem passa a dominar o debate público, quem promete restabelecer a ordem pode ganhar uma força que antes não tinha. E a exigência legítima de segurança pode abrir espaço à aceitação de medidas repressivas.
A França não está condenada a repetir nenhum desses percursos. Mas quem julga que a destruição faz necessariamente avançar uma causa deveria interrogar-se sobre o resultado. E no tempo do voto está também o destino de uma revolta.






















