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Montagem com figura encapuzada ao computador, avisos de alerta digital, telemóvel com chamada suspeita, e pessoas em sofrimento, ilustrando o impacto e métodos da fraude online.
Iamgem: Chatbot IA


Bruxelas, 2026 - Numa era em que a conectividade é sinónimo de conveniência, uma ameaça cresce paralelamente à nossa vida digital: a fraude online.

A criminalidade informática continua a ganhar terreno na Bélgica. Em 2025, as autoridades registaram 73.290 casos, mais 8,9% do que no ano anterior. A fraude informática aumentou 7,2% e os casos de phishing dispararam 30,4%, segundo dados da Polícia Federal belga.

Por detrás dos números estão vítimas que podem perder poupanças, dados pessoais e até a confiança nos serviços digitais. As antigas burlas por email, frequentemente fáceis de identificar, deram lugar a esquemas cada vez mais sofisticados, que recorrem à engenharia social e exploram emoções como o medo, a confiança, a solidão ou a urgência.

Entre as fraudes mais comuns estão o phishing e o vishing, através de mensagens ou chamadas que imitam bancos e outras entidades; as burlas românticas, nas quais falsos perfis conquistam a confiança das vítimas antes de pedir dinheiro; e os falsos investimentos, nomeadamente em criptomoedas e plataformas de trading.

Só no primeiro semestre de 2026, consumidores belgas comunicaram à Autoridade dos Serviços e Mercados Financeiros (FSMA) mais de 12,7 milhões de euros em perdas. Cerca de 8,5 milhões foram perdidos em plataformas de trading fraudulentas e esquemas relacionados com criptomoedas.

Infelizmente, em muitos casos, o sentimento de vergonha das vítimas contribui para o seu silêncio.
O impacto, porém, não é apenas financeiro. Um estudo nacional da Febelfin, realizado em 2026, revelou que 64% dos belgas sentiriam vergonha de admitir que foram vítimas de fraude online, contra apenas 20% no caso de um assalto a uma residência.

Esta relutância ajuda a explicar a subnotificação. Segundo a Polícia Federal, apenas 21% das vítimas de phishing consumado apresentam queixa, percentagem que cai para 4% perante tentativas de phishing.

As autoridades recomendam desconfiar de mensagens que exigem decisões imediatas, nunca fornecer palavras-passe ou códigos de autenticação e verificar diretamente junto da entidade qualquer pedido suspeito. No caso de investimentos, a FSMA aconselha ainda a confirmar previamente a identidade da empresa e consultar os alertas existentes.

Quem perdeu dinheiro deve contactar imediatamente o banco e apresentar queixa à polícia. Denunciar pode não só ajudar a investigação do próprio caso, como permitir identificar novas redes e métodos de fraude.

Num mundo em que as burlas digitais são cada vez mais convincentes, desconfiar deixou de ser paranoia: é uma medida de prevenção e segurança.