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Hoje, pelo terceiro dia consecutivo, a população de Covas do Barroso mantém um bloqueio aos trabalhos de prospecção da empresa Savannah Resources.

Perante o resultado da acção nos últimos dois dias, que interrompeu completamente os trabalhos da empresa no baldio, cerca de cinquenta pessoas voltaram a concentrar-se junto dos locais de sondagem a partir das seis horas da manhã, impedindo desta forma o acesso às máquinas de perfuração. 

Os trabalhos decorrem numa área de baldio abrangida por uma servidão administrativa que permite à empresa realizar operações de sondagem, apesar da oposição dos proprietários e compartes. Esta autorização dada pelo Governo permite à Savannah aceder a terrenos sobre os quais a comunidade mantém direitos e usos coletivos, contornando a recusa local em autorizar os trabalhos. A sua aplicação tem agravado a contestação ao projecto e alimentado um conflito em que está em causa o poder de decisão da comunidade local sobre o seu próprio território.  

Sobre o bloqueio, comenta desta forma Nélson Gomes, presidente da UDCB: “O bloqueio para nós tem sido um enorme sucesso. A Savannah está há três dias sem trabalhar no baldio. E é preciso desmontar o que tem sido a narrativa da empresa, ao afirmar que não planeava de qualquer forma trabalhos nestes dias. Alguém acredita nisto? Vindo de uma empresa que está pressionada para avançar com os licenciamentos de um projecto que se arrasta há quase dez anos? É conversa de conveniência para amenizar as preocupações dos investidores”.  

Acrescenta Maria Loureiro, pastora de Romainho: “Hoje está a ser um dia de bloqueio muito especial para nós, porque chegaram pessoas de todas as pontas do país para nos ajudarem e estarem presentes. Mostra o quanto cada vez mais isto não é uma luta apenas de Covas do Barroso. O que só nos dá mais convicção de que estamos a fazer a coisa certa, quando dizemos não a este projecto”.

Rui Valente, activista do Porto, foi uma das pessoas que se deslocou a Covas do Barroso para apoiar a população no Barroso. Narra assim a experiência: "Quando percebi que o bloqueio estava a acontecer não consegui ficar indiferente. O que se passa nesta aldeia revolta-me muito, como a várias pessoas pelo país todo. Não é difícil imaginar a dificuldade que seria para estas pessoas aguentarem um bloqueio deste tipo, a ter de deixar constantemente o trabalho e questões familiares em suspenso.

Foi a pensar nisso que juntei um grupo de amigos e viemos ajudar. Eu sou de fora, mas na verdade, como habitante do Porto, isto também me pode vir a afectar. A contaminação do Rio Covas, em última análise, é também a contaminação do rio Douro.".